A procura por tratamentos para pessoas dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é cada vez maior no Brasil. Somente na capital paulista, a demanda por atendimento cresceu 384% nos últimos cinco anos. A maior conscientização sobre o tema e o acesso à informação estão diretamente ligados à alta demanda.
Assim como o SUS, as operadoras de saúde têm enfrentado desafios no atendimento a esses pacientes. A modificação legislativa e normativa regulatória caminharam a passos largos, sem que houvesse tempo suficiente para um atendimento de excelência. O resultado disso são as terapias e consultas isoladas que não conseguem oferecer o tratamento adequado, sem falar na falta de abordagens ou técnicas terapêuticas específicas, o que dificulta o processo.
A classe médica acredita que a melhor solução seja um atendimento em rede, focado principalmente na atenção básica. No entanto, a linha de cuidado do Ministério da Saúde não orienta métodos terapêuticos específicos. Esta lacuna é alvo de críticas por especialistas. O que ocorre, em grande parte das vezes, é uma assistência irregular, já que o direcionamento do tratamento varia dependendo da formação e conhecimento do médico.
Estamos falando de um espectro com diferentes níveis de gravidade e de suportes necessários, que pode ou não estar atrelado à deficiência intelectual. Neste caso, tanto o alcance da rede de atendimento, quanto a qualificação do médico, serão fatores determinantes. A capacitação dos profissionais em metodologias baseadas em evidências e a ampliação da rede de atendimento estão entre os obstáculos atuais.
Acredito que o principal desafio seja qualificar o tratamento, ampliando o acesso e acompanhando seus resultados. É fundamental entender o que temos de evidências científicas e de que forma elas estão norteando os tratamentos prescritos. Penso que talvez fosse o caso das operadoras investirem em estudos técnicos para mapear o cenário de atendimento dos pacientes com TEA e apoiarem a ciência em prol de mais evidências e auxílio no tratamento. A oferta de um tratamento adequado e completo interessa aos pacientes e também as operadoras de saúde, garantindo qualidade de vida e saúde financeira para custeá-la.
Muitas perguntas, ainda sem respostas, nos impedem de alinhar expectativas. Os dados nos ajudam a nortear decisões e sem eles seguimos navegando no escuro.